Dia 18 de março, Bigelf em Curitiba. Ah, teve show do Dream Theater também

Bigelf em Porto Alegre, porque as minhas fotos ficaram um lixo. Fabio Santa Helena, roubei essa imagem do seu Flickr e espero que você não me processe.

— Então, fui ver o Bigelf abrir pro Dream Theater ontem.
— Pô, eu vi eles. Aqui perto do trampo, no hotel Pestana.
— q
— Sim. Uns barbudões, né.
— Sim. *chora*

Considerando que eu não tenho cacoetes de tiete, fica fácil concluir que eu não me toquei que os caras estariam pela cidade. Porque eles almoçam e tal. Precisam dormir. Tomar banho. Que burro. E saber que o tal hotel fica apenas a algumas quadras da minha casa só me fez sentir um pouco mais otário.

O Bigelf foi uma das primeiras bandas que eu ouvi quando descobri que havia vida longe das drogas pesadas. Eles, junto com Electric Wizard, Dead Meadow e Dozer me fizeram continuar gostando dos anos 70, mas sem a bichogrilice tão comum àqueles panacas que adoram fazer manha e dizer que não se faz mais música boa como antigamente. A primeira música que ouvi foi Madhatter, do terceiro disco, Hex. E aí, bem, aí a casa caiu.  Impossível não gostar deles se você tem, entre suas bandas favoritas, nomes como Black Sabbath e Beatles.

Com alguns contratempos que envolvem táxis, oito pessoas dormindo no meu apartamento e um Barcelona x Inter no Pro Evolution Soccer 2010, com vitória do Barcelona, cheguei com meu amigo ao Curitiba Master Hall um pouco depois do que pretendia. Não seria um grande problema se eu não tivesse o costume de esquecer que aquele lugar é uma bosta. Sério. Não é incomum você ficar do lado de fora, numa fila que dobra o quarteirão, esperando os seguranças vagarosamente liberarem a entrada da galera. No entanto, o local faz uma brincadeira interessante: ele rebate a estrutura meia boca, a acústica escrota e a péssima dinâmica de entrada com, veja só, ingressos pela metade do preço pra todo mundo. Sim, você não precisa ser estudante ou um avô. Basta levar um quilo de seu alimento favorito (sal não vale, ok) que você automaticamente paga metade do valor. Isso me leva ao cálculo de que eu gastei 80 reais pra ver seis músicas. Mais barato que ver ator brasileiro pelado em peça de teatro.

O set do Bigelf foi curtíssimo, como era de se esperar. Mas que show do caralho. Som gordo e bruto. Dá gosto ver o Ace Mark destruindo aquela SG. Damon Fox é um gênio e não tem como não achar demais ver aquele camarada cantando e tocando um Hammond e um Mellotron AO MESMO TEMPO. É de ficar vesgo. E enquanto meus dois amigos e eu babávamos com os acordes de Blackball, Money Machine e Disappear, o resto da galera não parecia entender o que faziam aqueles três imbecis pulando enquanto a casa, abarrotada de fãs do Dream Theater, não esboçava ainda nenhuma reação considerável.

Ao fim do show, um cisco entrou no meu olho e eu tive que ir ao fundo do Master Hall, daonde já fomos à caça de camisetas, adesivos ou algo do tipo. Em meio a umas duzentas toneladas de camisetas pretas do Dream Theater, vimos CDs do Bigelf à venda. Quarenta reais. Amigo, 2001 já passou, foda-se se esse CD é importado. Dei um tapa na cara do vendedor bem no momento em que o local começou a tremer. Pelo jeito a apresentação principal iria começar.

De qualquer forma, fica aqui meu agradecimento ao Dream Theater. Se não fosse pelo senhor Mike Portnoy, dificilmente eu teria visto um show do Bigelf na cidade onde moro. E que show, porra, que curto e magnífico show. Obrigado, fera. Você é um estranho tocando bateria, mas mesmo assim, hoje, eu te daria um belo dum abraço.

Publicado por Eduardo Z.

“That's one thing Earthlings might learn to do, if they tried hard enough: Ignore the awful times and concentrate on the good ones."

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9 comentários

  1. eu não conhecia a banda, fui pelo DT mesmo. mas fui BEM surpreendida pela qualidade do som da Big Elf.

    os caras pareceram como um Deep Purple (aka minha banda preferida no mundo todo) moderno, mais pesado, sem medo de meter mais a mão e viajar menos.

    baixei a discografia, e sei que provavelmente vou me arrepender de não ter dado a devida atenção pros elfões =~~

  2. “É como ser masturbado por muito tempo. Você perde o foco e, quando percebe, se pega contando quantos fatalities do Mortal Kombat 2 você sabe de cor.”

    A melhor definição para Dream Theater já concebida por um cérebro humano.

  3. sempre comparei DT com masturbação também. acho q vc tinha q escolher qual dos instrumentos vc vai focar numa musica, nao fazer um virtuosi-off toda canção

  4. Issodâe. Agora só falta o BARONESS abrindo pro MASTODÃO aqui nos Brasil que tá tudo lindo.

    Ma vem cá, Lombardi, “Lie” tem quatro minutos de solos, tu quis dizer, né?

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