Na falta de um Réveillon mais bem planejado, comecei, sob a chuva do último dia do ano, a fazer um top 10 bem do vagabundo. Queria saber quais foram os discos que eu mais ouvi em 2011 e, como base, usei a relação do Last.fm para os ábuns mais executados nos últimos 12 meses.

Já aviso que aqui não há sequer um parágrafo emocionado; deixemos as sinestesias e demais cacoetes para os críticos musicas. É só uma lista, oras.

 

10 | The Clones of Dr. Funkenstein (1976), Parliament

Conheci o Parliament numa feira de vinil. Por 15 reais, levei o Gloryhallastoopid pra casa — disco, encarte e a assinatura “Jackson Ferreira” bem no meio da capa. Naquela época, o meu único contato com o P-Funk tinha sido através do Maggot Brain, do Funkadelic, o que foi suficiente pra me fazer comprar o disco do Parliament. E o Gloryhallastoopid me levou ao Mothership Connection, que me levou ao The Clones of Dr. Funkenstein. Ainda me arrependo de não ter visto o show do George Clinton ano passado, no festival Black na Cena.

Getten’ to Know You

 

9 | Obscured by Clouds (1972), Pink Floyd

Trilha sonora para o longa La Vallé, Obscured by Clouds foi gravado em ridículas duas semanas. Eu não consigo nem terminar um livro nesse tempo, quem dirá gravar dez músicas para um filme. Gosto bastante desse disco, e na minha pequena lista mental de melhores do Pink Floyd encaixo Obscured em uma posição bem favorável.

♫ The Gold It’s in the…

 

8 | The Creek Drank in the Cradle (2002), Iron & Wine

 Até hoje, The Creek Drank in the Cradle foi o único disco que eu ouvi desse hippie caipira chamado Samuel Beam. Gostei tanto dele que resolvi nem ouvir mais nada, só pra não perder a magia. Um disco bonito demais. Não sabia que hippies conseguiam ser tão doces.

♫ Bird Stealing Bread

 

7 | A Strange Arrangement (2009), Mayer Hawthorne

 Se tivesse ouvido Strange Arrangement no momento certo, provavelmente não teria feito o cu doce que fiz pra ir ao show da Amy Winehouse no começo de 2011, quando ele fez um dos shows de abertura. Aposto que Isaac Hayes curtiria esse disco.

The Ills

 

6 | One Nation Under a Groove (1978), Funkadelic

 Mais uma vez o senhor George Clinton me punindo. Maggot Brain foi meu disco preferido do Funkadelic só até eu descobrir este aqui, que é lindo demais. Não consigo não mexer a cabeça ouvindo a faixa-título. Não sou de ficar recomendando sons, mas One Nation Under a Groove merece todo o seu carinho, meu amigo.

One Nation Under a Groove

 

5 | Music Is My Medicine (2009), Clutchy Hopkins

Clutchy Hopkins é tipo um Banksy da música. Difícil encontrar detalhes sobre ele, exceto informações bem pertinentes como supostas viagens que Hopkins fez ao redor do mundo, de mosteiro Zen a passagens por Índia e Nigéria, para entender melhor a sua relação com a música. Enfim, mais um drogadão. Baixei Music Is My Medicine por alguma indicação, e gostaria de agradecer você, amigo desconhecido, por me apresentar este disco.

Tune Traveler

 

4 | Inspiration Information (1974), Shuggie Otis

Um dos meus álbuns favoritos nos últimos tempos. Shuggie Otis demorou quase três anos pra finalizar Inspiration Information, um disco tão bonito e tão bem arranjado que justifica um tempo de gravação extenso desses. Reza a lenda que, após o lançamento de Inspiration, Otis foi convidado para participar da próxima turnê mundial dos Rolling Stones. Ainda não decidi se o chamo de vacilão ou de sábio.

Sparkle City

 

3 | Black Sands (2010), Bonobo

Simon Green, também conhecido como Bonobo, é um músico e DJ inglês, e é isso que sei sobre o cara. Aliás, sei também que Days to Come e Dial ‘M’ for Monkey, seus discos anteriores, são muito bons, mas não tão bacanas como esse aqui. Downtempo, trip-hop, foda-se, a preguiça de encaixar Black Sands em alguma categoria é bem grande. Melhor ouvir o disco mesmo.

Eyesdown

 

2 | Brothers (2010), The Black Keys

Brothers parece ter sido o disco que afastou um pouco o Black Keys daquele som dependente do blues. Um pouco extenso, acho eu, mas um álbum muito bom, só superado pelo novo disco da banda, El Camino. Meio cedo pra dizer, mas já tou achando que esse vai facilmente entrar pra lista dos mais ouvidos em 2012.

She’s Long Gone

 

1 | The Hunter (2011), Mastodon

Único disco de 2011, The Hunter ocuparia a mesma posição se esta fosse uma lista dos melhores do ano. Saiu a punheta, entraram as novas influências (que já foram se mostrando em Crack the Skye) e a banda fez um disco tão bom, tão ajeitado que foi difícil não ouvi-lo com força. É o Black Album do Mastodon.

Stargasm

 

Publicado por Eduardo Z.

“That's one thing Earthlings might learn to do, if they tried hard enough: Ignore the awful times and concentrate on the good ones."

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5 comentários

  1. MASTODÃO, pqp! Isso aí é coisa linda de dios.
    “El Camino” tá bão à beça memo.

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